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quinta-feira, 14 de abril de 2016


ORAÇÃO DO UMBANDISTA 





Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa comunicação... 

Onde tantos mistificam, Que eu leve a palavra da verdade! 

Onde tantos procuram ser servidos, Que eu leve a alegria de servir! 

Onde tantos fecham os olhos para a prática do bem, Que eu abra meu coração para acolher! 

Onde tantos usam a Umbanda como comércio, Que eu seja usado pela Umbanda para o amor ! 

Onde tantos espalham a ignorância e o preconceito, Que eu saiba agir pela luz do conhecimento e da razão! 

Onde a vida perdeu o sentido, Que através da Umbanda eu leve o sentido de viver!

Onde tantos me pedem um "despacho", Que eu saiba ensinar a benção do trabalho interno! 

Onde haja doença, que eu leve a vibração de saúde de Oxosse 

Onde haja desespero que eu leve a concórdia e a placidez das Águas. 

Onde houver desânimo, que eu leve a determinação e tenacidade de Ogum. 

Onde houver injustiça, que eu leve o discernimento e a justiça de Xangô. 

Onde tantos me pedem um milagre, Que eu seja a humildade do preto velho! 

Onde tantos estão sempre distantes, Que eu possa fazer a Umbanda sempre presente! 

Onde tantos sofrem de solidão que faz morrer, Que eu seja a pureza de Ibejada, espalhando sempre a alegria! 

Onde tantos morrem na matéria que passa, Que o Mestre Omulu me abençoe com a vibração da terra, geradora permanente de vida. 

Onde tantos olham para a terra, Que eu seja um espelho de Aruanda, a refletir sempre sua luz na terra! 

Saravá Umbanda! 

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Você Sabia??




EXPRESSÕES USADAS NA UMBANDA.

Entenda o significado de algumas palavras que fazem parte do vocabulário das entidades de umbanda.

Sessão de Umbanda: Cerimônia, rituais geralmente com a finalidade de cura física e espiritual. Por meio de guias, após dança e toques, com o uso do ponto cantado e riscado, pólvora, aguardente, defumações. Também sessão de desenvolvimento, de aprendizado e aperfeiçoamento dos médiuns, sessões festivas, públicas, com toque de atabaque e danças.

Ponto de Abertura: Cântico de abertura de uma sessão.

Ponto de Chamada: Cântico que invoca as entidades para vir ao terreiro trabalhar.

Ponto de Defumação: Cantado enquanto é feita a defumação do ambiente e dos presentes.

Porteira: Entrada do templo.

Filho de Fé: Designação do médium iniciante ou não.

Firmar: Concentrar-se para a incorporação

Gira de Caboclo: Sessão religiosa, o mesmo que gira; só que voltada somente para a linha de caboclo.

Gira: Sessão religiosa, com cânticos e danças para cultuar as entidades espirituais. Firmar Ponto: Cantar coletivamente o ponto (cântico) determinado pela entidade que vai dirigir os trabalhos para conseguir uma concentração da corrente espiritual.

Firmeza: O mesmo que segurança, conjunto de objetos com força mística (axé); que enterrados no chão protegem um terreiro e constituem sua base espiritual.

Cazuá: Terreiro, Templo, Local.

Dar Firmeza ao Terreiro: Riscar ponto na porteira, sob o altar, defumar, cantar pontos, etc. São feitas antes de uma sessão, para afastar ou impedir a entrada de más influências espirituais.

Descarregar: Livrar alguém de vibrações maléficas ou negativas.

Descer: Ato de orixá ou entidade incorporar.

Desenvolvimento: Aprendizado dos iniciados para melhoria de sua capacidade mediúnica; com a finalidade de incorporação de entidades.

Despachar: Colocar, arriar em local determinado pelos orixás ou entidades ? guias, os restos de oferendas.

Despachar Exu: Enviar exu por meio de oferendas (de bebidas, comidas, cânticos e sacrifício animal), para impedir de perturbar a cerimônia.

Despacho: Oferenda feita a exu com a finalidade de enviá-lo como mensageiro aos orixás e de conseguir sua boa vontade, para que a cerimônia a ser feita, não seja perturbada. Oferta feita por terreiros de Quimbanda com a finalidade de pedir o mal para alguém, geralmente colocado em encruzilhada.

Oferenda a exu com finalidade de desfazer trabalhos maléficos. Fundamentos: Leis de umbanda, suas crenças.

Encosto: Espírito de pessoas mortas. Que se junta a uma pessoa viva, conscientemente ou não, prejudicando-a com suas vibrações negativas.

Encruza: Local onde habitam os exus; é o cruzamento dos caminhos, vias férreas, ruas, etc.

Entidades: Seres espirituais na umbanda.

Espírito de Luz: Espírito muito desenvolvido, superior e puro.

Espírito sem Luz: Espírito inferior, pouco evoluído, apegado à matéria. Baixar: possuir por parte do orixá ou entidade, o corpo de um filho ou filha de santo.

Banda: Lugar de origem de entidade.

Burro: Termo usado pelos exus incorporados para designar o médium. Calunga Grande: Mar; oceano.

Desencarnar: Ato do espírito da pessoa deixar o corpo ? morrer.

Encarnação: Ato de vir um espírito à vida terrestre, tomando um corpo, ou voltar num corpo novo e continuar sua evolução espiritual.

Encruza: Ritual realizado pelo dirigente espiritual antes do início das sessões e que consiste em traçar cruzes com pemba na testa, nunca no peito, nas costas, na palma das mãos e na sola do pés.

Calunga Pequena: Cemitério.

Dar Passagem: Ato do orixá ou guia deixar o médium para que outra entidade nele se incorpore.

Dar passes: Até da entidade, através do médium incorporado, emitir vibrações que anulem as más influências sofridas pelos clientes, através de feitiço, olho gordo, inveja, etc. E que abrem os caminhos.

Descarga: Ação de afastar do corpo de alguém ou de um ambiente, vibrações negativas ou maléficas por meio de banhos, passes, defumação, queima ou pólvora.

Engira: O mesmo que gira trabalho sessão.

Despachar: Colocar, arriar em local determinado pelos orixás ou entidades ? guias, os restos de oferendas.

Despachar Exu: Enviar exu por meio de oferendas (de bebidas, comidas, cânticos e sacrifício animal), para impedir de perturbar a cerimônia.

Espíritos Obsessores: Espíritos sem nenhum desenvolvimento espiritual, que se apossam das pessoas, fazendo-as sentirem doentes, prejudicando-as em todos os sentidos.

Fechar a Gira: Encerrar uma sessão ou uma cerimônia em que tenha havido formação de corrente vibratória.

Fechar a Tronqueira: Fechar o terreiro às más vibrações dos quiumbas, por meio de defumação e aspersão de aguardente nos quatro cantos do local onde se realizará o culto.

Feitiço: Irradiação de forças negativas, maléficas contra alguém, despacho, objeto que contém vibrações maléficas

Firmar Porteira: Riscar a entrada do templo, um ponto especial para protegê-lo de más influências ou fazer defumação na entrada

Fundanga: Pólvora.

Guia de Cabeça: Orixá ou entidade principal do médium.

Rabo de Saia: Mulher na linguagem dos pretos velhos e exus.

Perna de calça: Homem na linguagem dos pretos velhos e exus.

Riscar Ponto: Fazer desenhos de sinais cabalísticos que representam determinadas entidades espirituais e que possuem poderes de chamamento das mesmas ou lhe servem de identificação.

Preceito: Determinação. Prescrição feita para ser cumprida pelos fiéis.

Puxar o Ponto: Iniciar um cântico. É geralmente feito por um ogã, em seguida acompanhado pelos médiuns.

Quebrar as Forças: Neutralizar o poder de qualquer feitiço seja para o bem ou para o mal.

Tomar Passe: Receber das Mãos dos médiuns em transe vibrações da entidade, as quais retiram do corpo da pessoa os males provocados por vibrações negativas, provenientes de mau olhado, encosto, castigo das entidades, etc.

Abó - banho de odor desagradável, em cuja composição entram várias ervas.

Amací - banho de ervas, feito para lavar a cabeça.

Amalá - comida que se dá aos Orixás.

Atabaque - tambor usado para acentuar o ritmo dos pontos.

Cambone ou cambono - auxiliar ou assistente do Orixá.

Carregado - cheio de maus fluídos.

Ebó - presente, oferenda.

Filho de santo - médium com batismo na Umbanda, com o Guia Identificado.

Guia - protetor do médium; colar de contas, pedra ou metal.

Mãe ou Pai pequeno - auxiliar imediata da Mãe ou Pai de Santo.

Mãe de Santo - mulher dirigente do terreiro, ou médium coroada.

Marafa ou marafo - aguardente, qualquer tipo de bebida alcoólica.Patuá - talismã usado para dar sorte ou proteção.

Pemba - giz especial com que se riscam os pontos.

Saravá - cumprimento comum e geral na Umbanda, o mesmo que salve

Toco - vela, charuto, cigarro, banco.

Sincretismo.

A questão do sincretismo é um tanto complicada, quando lembramos os fatos Históricos:

è sabido que os africanos só poderiam cultuar seus Deuses em paz se os disfarçassem com as imagens dos Santos Católicos , o problema é que até hoje muitas pessoas imaginam que os nomes dos orixás são o mesmo dos Santos da linha nagô.

A Pemba e seus fundamentos

MAGIA DE PEMBA NA UMBANDA ''FUNDAMENTOS''



A Magia da Pemba usada na Umbanda está fundamentada no mistério das vibrações divinas irradiadas continuamente para toda a Criação pelos Orixás, sendo que cada uma das vibrações emitidas por Eles traz em si um poder de realização que faz acontecer todo um trabalho, após ser riscada de forma simbólica pelos Guias. Isso porque cada vibração emitida por um Orixá realiza uma função e um trabalho específico e o conjunto das vibrações de um único Orixá constitui a sua Magia de Pemba específica.
Sabendo disso, e se particularizarmos a simbologia mágica usada pelos Guias, então veremos que existe uma Magia de Pemba para Ogum, outra para Xangô, outra para Oxalá e assim por diante. Mas, devido ao fato de não conhecermos todas as vibrações de um Orixá, então não temos condições de trazer para o plano material todo o conjunto de todos os seus símbolos mágicos, criando assim um formulário simbólico especifico só dele.
Esse conhecimento existe nos níveis mais elevados da Criação, mas ainda não está aberto para nós aqui na Terra, o que nos limita apenas a um determinado número de vibrações, de símbolos e signos formados por elas e, mesmo assim, sem a indicação de suas funções e dos trabalhos que realizam após serem riscados pelos Guias, fato este que não concede a nenhum umbandista a distinção de profundo conhecedor da Magia riscada de Umbanda, até porque ela transcende nossa capacidade intelectual.
O que temos são algumas informações e que já são suficientes para que, mesmo não sabendo todos os trabalhos que estão sendo realizados por determinado ponto riscado, no entanto saibamos que está trabalhando positivamente.  E isso acontece exatamente porque, desde o momento em que o Guia risca
em seu ponto um determinado símbolo ou um signo, o mesmo pertence a uma determinada onda vibratória, que o ativa imediatamente e se forma um campo de trabalho que realizará as ações por si só, sem precisar de mais nada além do direcionamento dado a ele pelo próprio Guia.
OBSERVAÇÃO
Um Orixá realiza simultaneamente milhares de funções na Criação, sendo que cada uma destas funções é irradiada de uma forma e cria telas vibratórias do tamanho da Criação divina, que é infinita.  O conjunto de vibrações de um Orixá, com funções bem definidas, forma o que é denominado “o axé ele”, porque esse conjunto de vibrações tanto conduz o poder de realização de um Orixá, quanto transporta a energia original e única emanada por Olorum, mas em “comprimentos de onda específicos”.  A mesma energia em um comprimento de onda é classificada como aquática, já em outro comprimento e onda ela é classificada como ígnea, em outro como eólica, em outra é classificada como vegetal, e assim por diante.
Devemos lembrar sempre que, em Olorum, só existe uma única energia, mas que, dependendo dos comprimentos das ondas através das quais ela é irradiada pelos Orixás, a mesma energia original assume funções diferentes e, quando os signos ou símbolos são riscados, eles as trazem para o lado material da Criação, as elementarizam, tanto no pó mineral utilizado na fabricação das pembas, quanto nas chamas das velas e nos demais elementos colocados dentro do ponto riscado, dando à energia original e única emitida por Olorum novas formas de atuação em benefício das pessoas necessitadas.
A energia original e única emitida por Olorum é captada pelos mentais dos Orixás e, a partir deles, ela é irradiada em todos os comprimentos de ondas existentes, que são tantos, que até hoje nem nos planos espirituais mais elevados foi possível identificar e classificar todas as vibrações mentais emitidas por um único Orixá.  Então, agora, sabendo que o AXÉ de um Orixá é formado pelo conjunto de funções exercidas simultaneamente por Ele e que essas funções são realizadas na Criação através de suas vibrações mentais e que através delas flui continuamente a energia original, viva e divina emitida por Olorum, que, devido os comprimentos de ondas serem diferentes e a mesma energia realizar trabalhos diferentes, então a Magia da Pemba usada pelos Guias está fundamentada nos Orixás, que são seus irradiadores para toda a Criação e para tudo e todos que nela vivem e evoluem.
Portanto, o ponto riscado de Umbanda vibra em acordo com Olorum, com os Orixás e com toda a Criação, tornando-o um ponto de forças extremamente realizador, controlado e direcionado pelos Guias que o riscam.  Justamente por isso, o ponto riscado por um Guia deve ser olhado com respeito, porque através dos símbolos e signos inscritos nele está fluindo o poder de Olorum irradiado através dos Orixás, que, por meio deles, têm uma forma de auxiliar as pessoas e até os espíritos necessitados de auxílio que chegarem diante do Guia que o riscou.
Então que fique claro e entendido para todos que o poder divino chega até nós através de muitos meios, e os Guias de Umbanda, por conhecerem vários desses meios, se servem dos mais fáceis de serem utilizados, e que, entre eles, se encontra a Magia do Ponto Riscado de Umbanda.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Força Baiana, Força Africana....


Eu vim lá do terreiro, terreiro de Bom Jesus...

Quem não gosta de uma boa gira de Baianos?

Eita povo bom de prosa, energia e muitos e muitos “causos” para contar... 

Pois saiba você, que tudo que tu sente e não fala, Baiano sabe! Baiano sente! Baiano ajuda! 

Baiano ouve teu coração, ouve tua alma e sabe da tua aflição! 

A força vem de ti, do teu coração.... Quem disse que tu não tem força? Quem disse que tu não tem luz? Olha que muita coisa acontece, por que tua fé está mais abalada que coco maduro na ventania da praia! Num é?

Sinta a energia de uma boa prosa, de uma boa dança e de uma cantoria cheia de muito axé! Axé que vem do “gingado” de uma saia rodada de uma baiana! Oxi ... e por que não??? 

Ela roda, roda, roda, para toda a mandinga tirar... para todo mau olhado afastar! É só tu acreditar!

“Quem não viu baiano bom, corre venha ver agora!!!!” Oxente!!! Corre pra ver!!! Perca tempo não! 

Dizem que baiano é um povo devagar... Oxi.. e é! Ando devagar mesmo... Pra que ter pressa? 

Garanto que chego no mesmo lugar que tu... e sem ficar cansado! Ainda aproveito pra ver as coisas boas que tem pelo caminho, que eu garanto que tu não ? Né não? 

Por isso, digo pra tu... Não tenha pressa, não tenha raiva, não tenha medo. Tudo que é teu dá um jeito de chegar até tu.... então, abra a porta do teu coração e espere... 

Se tu não acredita é por que tá com o coração fechado! Bora abrir! 

Sou do povo sofrido, do pé descalço, dos calos nas mãos... mas nunca derrotado e nunca esquecido!

Que tua vida seja cheia de Axé e que Nosso Senhor do Bonfim, proteja tu e os teus!!! Bora ser feliz!

É da Bahia, Meu Pai!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Atotô meu pai!!

Em termos mais estritos, Obaluaê seria a forma mais jovem do Orixá Xapanã, enquanto Omolu a sua forma velha. Como porém, Xapanã é um nome que no início da formação dos cultos afro brasileitos era proibido tocar em seu nome fora dos terreiros, não devendo ser mencionado, pois poderia atrair suposta doença inesperada.

Assim, a expressão Omolu é a que mais se popularizou e acabou sendo confundida não apenas com a forma mais velha do Orixá, mas com sua essência genérica em si. Esta distinção se aproxima da que existe entre as formas básicas de Oxalá: Oxalá (o Crucificado), Oxaguiã a forma jovem e Oxalufã a forma mais velha. 


A figura de Omolu-Obaluaê, assim como seus mitos, é completamente cercada de mistérios e dogmas indevassáveis. Em termos gerais, a essa figura é atribuído o controle sobre todas as doenças, especialmente as epidêmicas. Faria parte da essência básica vibratória do Orixá tanto o poder de causar a doença como o de possibilitar a cura do mesmo mal que criou. 

Em algumas narrativas mais tradicionalistas tentam apontar-se que o conceito original da divindade se referia ao Deus da varíola, tal visão porém, nos parece uma evidente limitação. A varíola não seria a única doença sob seu controle, simplesmente pôr ser a epidemia mais devastadora e perigosa que conheciam os habitantes da comunidade original africana, onde surgiu Omolu-Obaluaê, o Daomé. 
Assim, sombrio e grave como Iroco, Oxumarê (seus irmãos) e Nanã (sua Mãe), Omolu-Obaluaê é uma criatura da cultura jeje, posteriormente assimilada pelos iorubás. 

Enquanto os Orixás Iorubanos são extrovertidos, de têmpera passional, alegres, humanos e cheios de pequenas falhas que os identificam com os seres humanos, as figuras Daomeanas estão mais associadas a uma visão religiosa em que distanciamento entre Deuses e seres humanos se extruturou de uma maneira bem mais ampla e complexa. Quando há aproximação, há de se temer, pois alguma tragédia está para acontecer, pois os Orixás do Daomé são austeros no comportamento mitológico, graves e conseqüentes em suas ameaças. 

A visão de Omolu-Obaluaê para os antigos Daomeanos é a do castigo. Se um ser humano falta com ele ou um filho-de-santo seu é ameaçado, o Orixá castiga com violência e determinação, sendo difícil uma negociação ou um aplacar, mais prováveis nos Orixás iorubás.

Na Umbanda a diferença entre esses Orixás se coloca de forma mais prática. São vistos como Tronos de Deus que subsistem e se manifestam na natureza e na vida através das energias que irradiam. 
As energias se diferem primeiramente pelo ponto de força. Os dois são representados pela terra, porém a terra de omolu é mais seca, fazendo contraponto a imensidão do oceano de Iemanjá, ele representa o todo componente de terra firme dos continentes. A terra de Obaluaê já tem ligação com as margens de lagos e pântanos, águas paradas ligadas Nanã. Assim a terra propensa a germinação, ao crescimento de folhas, plantas, ávores, etc é ligada a vibração a Obaluaê.

Na Umbanda Omolu é estabilizador, mais concreto, absorvedor estando no polo negativo da mãe Iemanjá que é positivo. Obaluaê é evoluidor, mais expansivo, irradiador estando no polo positivo da mãe Nanã que é negativo. 

Omolu formata a linha em que trabalham os Exús, já Obaluaê formata junto a Oxalá a linha em que trabalham os Pretos Velhos.

Omolu atua nos seres humanos pelo chacra básico, enquanto Obaluaê está presente pelo chacra esplênico.

Para muitos umbandistas a vela que se acende para Omolu é preta ou roxa, já para Obaluaê é violeta.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Saravá Zé Pilintra!!



Zé Pelintra é uma entidade espiritual de origem afro-brasileira. É bastante cultuado e admirado na religião Umbanda como um espírito boêmio, patrono dos bares, locais de jogos e sarjetas, embora não alinhado com entidades de cunho negativo, é uma espécie de transcrição arquetípica do malandro.
 Seu modo de vestir é bastante clássico e típico, Zé Pelintra é representado sempre trajando terno, geralmente de cor branca e mais raramente na cor preta, sapatos de cromo, gravata vermelha e chapéu panamá de fita vermelha ou preta (elegância é uma de suas principais características).
Apesar da entidade ter grande importância para os praticantes do catimbó (conjunto específico de atividades mágico-religiosas, originárias da Região Nordeste do país) Zé Pelintra é uma entidade originária primeiramente da Umbanda. Preto José Pelintra, como também é conhecido no Catimbó, viveu boa parte de sua vida encarnada ao lado de índios brasileiros e que  teria absorvido seus conhecimentos sobre ervas medicinais por consequência dessa convivência.

Possui grande influência nas matas assim como possui também um enorme respeito pelos santos católicos, isso se deve pelo fato do próprio Zé Pelintra ter sido batizado e seguido a Igreja Católica Apostólica Romana em vida.
O malandro é conhecido por ser mulherengo, birrento e festeiro, quando os médiuns recebem a visita dessa entidade, podem crer, a alegria será garantida. Zé Pelintra é invocado quando seus seguidores precisam de ajuda com questões que envolvem o lar e os negócios. É conhecido por ser um obreiro da caridade e da feitura de coisas boas.

 Muitas vezes Zé Pelintra é confundido com algum exu, isso se deve ao fato dessa entidade se manifestar também em sessões de exus, assim como também apresentar alguns trejeitos parecidos.

Existem diversas versões sobre a vida e a origem do malandro, mas a mais aceita é que Cresceu tendo a noite como sua vida. Amava jogar dados e carteado, bebidas e principalmente as mulheres. Mulheres essas que ele tratava feito rainhas não importando a sua origem ou quem fosse. Não tardou até ser temido pela polícia devido a sua habilidade me manejar facas, poucos tinham coragem de o enfrentar no combate, seja ele armado ou desarmado. Mas apesar da valentia ele possuía um enorme coração, muitas vezes mandando para a casa jogadores bêbados que teimassem em jogar contra ele em estado de embriagues. Justo, leal, boêmio e malandro, essas são as características mais marcantes dessa entidade.


Na Umbanda, Zé Pelintra é um guia pertencente à linha do "Povo da Malandragem", tendo como seu Orixá patrono Ogum. Já no Catimbó, é considerado um "mestre juremeiro".

Tanto na Umbanda como no Catimbó, Zé Pelintra é tido como um protetor dos pobres, uma entidade de enorme importância entre as classes menos favorecidas, tendo ganhado o apelido de "Advogado dos Pobres", pela patronagem espiritual e material que exerce.  É comum achá-lo em festas e exposições, sempre rindo. E é claro, sem fazer rir.

Existem muitos relatos de avistamentos dessa entidade andando pelas ruas e sarjetas a noite, mesmo por aqueles que não possuem uma grande mediunidade ou até mesmo religiosidade. Já ouve relatos de pessoas que sentiram alguém as seguindo (geralmente em ruas desertas) e, ao olharem para trás se deram de cara com a figura do malandro sorridente a cumprimentar com a aba do chapéu, desaparecendo logo em seguida.
               " Ô Zé... 
                  Faça tudo que quiser,
                  Só não maltrate o coração 
                  Dessa mulher...."







segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

02 de Fevereiro, Dia de Yemanjá



Dia da semana: Sábado

Cor: Branco, Prateado, Azul e Rosa

Símbolo: Abebé prateado.

Elementos: Águas doces que correm para o mar, Águas do mar

Domínios: Maternidade (educação), Saúde mental e Psicológica

Saudação: Erù-Iyá, Odó-Iyá

Yemonjá, por presidir à formação da individualidade, que como sabemos está na cabeça, está presente em todos os rituais, especialmente o Bori.

É a rainha de todas as águas do mundo, seja dos rios, seja do mar. O seu nome deriva da expressão YéYé Omó Ejá, que significa, mãe cujo filhos são peixes. Na África era cultuada pelos egbá, nação Iorubá da região de Ifé e Ibadan onde se encontra o rio Yemojá. Esse povo transferiu-se para a região de Abeokutá, levando consigo os objectos sagrados da deusa, e foram depositados no rio Ogum, o qual, diga-se de passagem, não tem nada a ver com o Orixá Ogum, apesar de no Brasil Yemojá ser cultuada nas águas salgadas, a sua origem é de um rio que corre para o mar. Inclusive, todas as suas saudações, orikís e cantigas remetem a essa origem, Odó Iyà por exemplo, significa mãe do rio, já a saudação Erù Iyà faz alusão às espumas formadas do encontro das águas do rio com as águas do mar, sendo esse um dos locais de culto a Yemonjá.

Yemonjá é a mãe de todos os filhos, mãe de todo mundo. É ela quem sustenta a humanidade e, por isso, os órgãos que a relacionam com a maternidade, ou seja, a sua vulva e seus seios chorosos, são sagrados.

Yemonjá é o espelho do mundo, que reflecte todas as diferenças, pois a mãe é sempre um espelho para o filho, um exemplo de conduta. Ela é a mãe que orienta, que mostra os caminhos, que educa, e sabe, sobre tudo, explorar as potencialidades que estão dentro de cada um, como fez com os guerreiros de Olofin, mostrando o quanto eram bons nos seus ofícios, mas dizendo, ao mesmo tempo, que a guerra maior é a que travamos contra nós mesmos.

A energia de Yemanjá juntou-se a Orugan. Dessa interação nasceram diversos omo- Orixás e dos seus seios rasgados jorraram todos os rios do mundo. Yemonjá é a própria água, suas lágrimas transformaram transformar num rio que correu em direcção ao oceano. Portanto, não é por acaso que as lágrimas e o mar tem o mesmo sabor.

Dissimulada, e aridlosa, Yemonjá faz uso da chantagem afectiva para manter os filhos sempre perto de si. É considerada a mãe da maioría dos Orixás de origem Iorubá. É o tipo de mãe que quer os filhos sempre por perto, que tem uma palavra de carinho, um conselho, um alívio psicológico. Quando os perde é capaz de se desequilibrar completamente.

Yemonjá é a mãe que não faz distinção dos seus filhos, sejam como forem, tenham ou não saído do seu ventre. Quando humildemente criou, com todo amor e carinho, aquele menino cheio de chagas, fez irromper um grande guerreiro. Yemonjá criou Omulu, o filho e senhor, o rei da terra, o próprio Sol.

Características dos filhos de Yemonjá

São imponentes, majestosos e belos, calmos, sensuais, fecundos, cheios de dignidade e dotados de irresistível fascínio (o canto da sereia). São voluntariosos, fortes, rigorosos, protectores, altivos e, algumas vezes, impetuosos e arrogantes; têm o sentido da hierarquia, fazem-se respeitar e são justos mas formais; põem à prova as amizades que lhes são devotadas, custam muito a perdoar uma ofensa e, se a perdoam, não a esquecem jamais. Preocupam-se com os outros, são maternais e sérios. Sem possuírem a vaidade de Oxum, gostam do luxo, das fazendas azuis e vistosas, das jóias caras. Eles têm tendência à vida sumptuosa, mesmo se as possibilidades do quotidiano não lhes permitem um tal fausto.

As filhas de Yemonjá são boas donas de casa, educadoras pródigas e generosas, criando até os filhos de outros (Omulu). Não perdoam facilmente, quando ofendidas. São possessivas e muito ciumentas.

São pessoas muito voluntariosas e que tomam os problemas dos outros como se fossem seus. São pessoas fortes, rigorosas e decididas. Gostam de viver em ambientes confortáveis com certo luxo e requinte. Põe à prova as suas amizades, que tratam com um carinho maternal, mas são incapazes de guardar um segredo, por isso não merecem total confiança. Elas costumam exagerar nas suas verdades (para não dizer que mentem) e fazem uso de chantagens emocionais e afectivas. São pessoas que dão grande importância aos seus filhos, mantêm com eles os conceitos de respeito e hierarquia sempre muito claros.

Nas grandes famílias há sempre um filho de Yemonjá, pronto a envolver-se com os problemas de todos, pois gosta tanto disso que pode revelar-se um excelente psicólogo. Fisicamente, os filhos de Yemonjá tendem à obesidade, ou a uma certa desarmonia no corpo. As mulheres, por exemplo, acabam por ficar com os seios caídos e as nádegas contidas e preferem os cabelos compridos. São extrovertidos e sabem sempre de tudo (mesmo que não saibam).